Monte Carlo
Testa a solidez de um sistema simulando milhares de cenários possíveis, não só o que aconteceu. Responde: «tive sorte ou meu sistema é de verdade?».
A análise Monte Carlo responde à pergunta mais incômoda do trading: «tive sorte, ou meu sistema é realmente sólido?». Seu backtest mostra UMA história: a que de fato aconteceu. Mas essa sequência exata de ganhos e perdas nunca vai se repetir. Monte Carlo pega suas operações e as reordena e varia milhares de vezes para construir milhares de histórias alternativas igualmente plausíveis. Assim você deixa de ver um único resultado e passa a ver a faixa de resultados que poderiam ter acontecido — que é o que de verdade vai te acontecer ao vivo.

O que faz por dentro
A simulação não inventa operações do nada: parte das SUAS operações reais (as do backtest) e as perturba de formas estatisticamente válidas. Estas são as três técnicas principais:
| Técnica | O que muda | Que pergunta responde |
|---|---|---|
| Reordenar (shuffle) | A ordem em que suas operações ocorrem, não quais. | E se a sequência ruim tivesse vindo no início? Você teria sobrevivido? |
| Reamostrar (bootstrap) | Pega operações ao acaso com repetição para formar novas histórias. | Quão dependente é o resultado de algumas operações afortunadas? |
| Pular operações | Remove uma % de operações ao acaso (as que você perdeu por estar offline, slippage, etc.). | O sistema aguenta se na prática você não pega todos os sinais? |
Como ler o resultado: os percentis
Monte Carlo não te dá um número, te dá uma distribuição. A chave está nos percentis: o percentil 5 é o «cenário ruim» (só 1 em cada 20 histórias saiu pior) e o percentil 95 é o «cenário bom». O que importa não é a média, mas quão ruim é o pior caso realista.
| Métrica | Como interpretá-la |
|---|---|
| Drawdown no percentil 95 | O pior drawdown realista. Se o seu plano de risco não aguenta essa queda, o sistema vai te tirar do mercado antes de funcionar. |
| % de cenários lucrativos | Se só 60% das histórias terminaram no verde, sua lucratividade depende demais da sorte. |
| Faixa de retorno (p5 – p95) | Uma faixa estreita = sistema consistente. Uma faixa enorme = o resultado é quase uma loteria. |
Não olhe só o cenário médio. Foque nos piores 5%: se o seu sistema ainda é lucrativo (ou ao menos não quebra) ali, você está preparado para a realidade do mercado. A maioria dos traders quebra justamente porque planejou para o cenário médio e viveu o do percentil 5.
Monte Carlo vs Multiverso: não são a mesma coisa
É fácil confundi-los porque ambos «simulam milhares de cenários», mas atacam riscos diferentes e se complementam:
Varia a SEQUÊNCIA das suas operações já ocorridas. Responde «dado que estas operações existem, quão sensível é meu resultado à ordem e a perder algumas?». É rápido e roda sobre os trades de qualquer backtest.
Vai mais a fundo: gera milhares de MERCADOS sintéticos novos (preços que nunca existiram mas estatisticamente parecidos) e roda o algoritmo completo em cada um. Responde «este algoritmo funciona em mercados que NÃO são exatamente o histórico que o treinou?». É o filtro anti-overfitting mais duro, e vive em «Meus Algoritmos».
Na prática: use Monte Carlo para dimensionar seu risco (que drawdown devo estar disposto a aguentar?) e o Multiverso para decidir se um algoritmo merece dinheiro real (generaliza ou só memorizou o passado?). Os dois juntos, mais Walk-Forward e DSR, são os quatro ângulos da robustez.